Temas Ligados
ao Meio Ambiente

De: Amyra El Khalili

Para: Rede Internacional BECE & REBIA!

Agronegócio e Meio Ambiente Cc: Alessandra Ferreira
Environment Justice x Finance - Curitiba, Paraná
 
Gazeta Mercantil
Meio Ambiente se transforma em Negócio
Surgem as Commodities Ambientais
Por Alessandra Ferreira e Newton Chagas* (de Curitiba)

O meio ambiente é cada vez mais um tema empresarial. De um lado, as grandes empresas estão se preocupando com o passivo ambiental. Na prática, isso significa prestar atenção aos possíveis efeitos que cada empresa provoca no meio ambiente, e como eles são eliminados ou minimizados. Indústrias com altos índices de utilização de produtos químicos, por exemplo, terão no seu passivo ambiental a quantidade  de dejetos não-tratados emitidos para os rios. Se o passivo ambiental for muito grande, há casos de empresas que deixam de fazer negócios de fusões a aquisições por esse motivo.

Por outro  lado, para quitar esses passivos, está sendo criado um mercado nacional de commodities ambientais. Criado por ambientalistas na década de 90, o projeto vem ganhando forma e em breve deverá ser comercializado em bolsa. Esse mercado negociará à vista e no mecado futuro produtos naturais, em condições sustentáveis, e o conjunto integrado das sete matrizes - água, energia, minério, madeira, biodiversidade, reciclagem e controle de emissão de poluentes. O Paraná é a sede do Fórum Nacional da Proposta da Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, que determanaria a cotação dos produtos, diferentemente do que ocorre atualmente com a soja e o café.


Gerando lucros com a Conservação

Por Alessandra Ferreira* (de Curitiba)

Transformar os passivos em ativos  ambientais. Essa simples mudança de terminologia pode render lucros e provocar uma mudança no sistema financeiro brasileiro. A estratégia faz parte da criação dos commodities ambientais, que negociarão, à vista e no mercado futuro, produtos naturais, em condições sustentáveis, o conjunto integrado das sete matrizes - água, energia, minério, madeira, biodiversidade, reciclagem e controle da emissào de poluentes. Criado por ambientalistas na década de 90, o projeto vem ganhando forma e em breve deverá ser comercializada em bolsa.

O Paraná é a sede do Fórum Nacional da Bolsa Brasileira de Commodities Ambientais, que determinaria a cotação dos produtos, diferentemente do que ocorre atualmente com a soja e o café. A idéia, explica a economista Amyra El Khalili, consultora de negócios do Sindicato dos Economistas do Estado de São Paulo, é transformar os bens naturais em produtos comercializáveis, tanto pela sua existência, quanto pelos benefícios que podem ser retirados. Para isso, comenta, é preciso mudar a cultura da sociedade para saber valorizar os produtos que propiciam sua própria sustentabilidade. Ela explica que é preciso incentivar as empresas a criar seus produtos dentro de uma cadeia produtiva ambientalmente correta e vendê-las em mercados futuros com esse diferencial. "Sabemos que nosso futuros clientes não estão no Brasil, pois aqui ainda não existe essa consciência. O País é apenas produtor, mas precisa saber ganhar com isso", afirma.

Na sua opinião, esse produtos diferenciados devem receber tratamento diferenciados para comercialização global. "Não trata-se de criar um selo ou rótulo, mas a confiança de que o produto comprado pelo consumidor final, em toda sua história, passando pelos meios que o margeiam, são ambientalmente corretos", explica. Para manter essa confiabilidade, alerta, é preciso que a sociedade organizada se mantenha atenta e ficalize de fato todas as práticas anunciadas pelas empresas. "Não sabemos quanto tempo essa fase de maturação do processo vai durar, mas é a partir dela que as coisas vão começar acontecer".

* Alexandra Ferreira é repórter da Gazeta Mercantil - email: asneto@netpar.com.br

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