Temas Ligados
ao Meio Ambiente

De: Amyra El Khalili

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Cc: Nelson Moreira

Environment Justice x Finance - Rio Grande do Sul
Revista Rural  - Entrevista com o Economista Paranaense John Forgach  

Agronegócio e Meio Ambiente: Uma parceria que pode render Lucros  - por Nelson Moreira*

A criação de fundos de investimentos ligados a preservação ambiental é uma idéia que tem dado certo e trazido bons lucros. John Forgach, é Presidente da A2R empresa que gerencia e cria fundos de investimentos ligados a este setor. Ex-Vice Presidente do Banco Axial, tem exercido uma série de atividades ligadas à preservação do meio ambiente. A Revista Rural foi ter com ele, um dedo de prosa.

Revista Rural – Como esta estória de preservação ambiental entrou na sua vida?  

John Forgash - Comecei fundando duas ONGs sem fins lucrativos para a criação em cativeiro de psitacídeos em perigo de extinção (Verin Hyazinthinus), e para o combate ao tráfico de fauna silvestre (S.T.A.R.T.). Foi a minha fase de ambientalista "romantico"pois ambas ONGs dependem de doações e não são financeiramente auto sustentáveis. Decidi de tornar menos romantico e mais pragmático fundando o Banco Axial em 1997, junto com sócios Brasileiros interessados nos setores emergentes da economia Brasileira. O setor verde é um dos setores emergentes que cresceu mais rapidamente. Decidi então concentrar os nossos esfôrços professionais neste setor bancário que me fornece o prazer de trabalhar na area financeira ligada à Natureza. Na minha opinião não existe melhor combinação.


Rural – Porque a preservação ambiental pode ser um bom investimento?  

Forgash - É bom porque o custo de entrada ("compra") é muito barato. Os ativos naturais (florestas, campos, agua, etc) estão muito desvalorisados hoje. O capital migrou para a indústria, o comércio, as comunicações, as ciencias aplicadas, o transporte e a informatica. Dentro da visão imediatista do empresario Brasileiro, ser dono de terras é um "pepino". Em outras palavras, "não rende". Então dentro da nossa visão de investimento de longo prazo estamos comprando e administrando para os nossos fundos patrimonios desvalorizados que num palneta de dimensões cada vez mais limitadas, se tornarão raros e escassos. Se forme bem administrados valerão muito no futuro.  


Rural – Existem muitas instituições interessadas em aplicar recursos neste setor?  

Forgash - Sem dúvida. Começamos em 1996 com o objetivo de administrar US$ 50 Milhões de Fundos ambientais. Em 2001 devemos estar administrando US$ 300 Milhões. A A2R está estruturando US$ ½ Bilhão de Fundos no total. As multilaterais (BID, Banco Mundial, Governo da Suíça) iniciaram o processo de investimento neste setor mas hoje empresas privadas, institutos de previdência, seguradoras, bancos comerciais e até pessoas físicas investem nos nossos fundos.  


Rural - Que volume de recursos financeiros estão disponíveis no mundo todo para serem aplicados em preservação ambiental?

Forgash - Segundo dados divulgados durante a reunião anual do BID em New Orleans este ano, a fatia de investimentos financeiros governados por critérios socio-ambientais chega a US$ 2.2 Trilhões nos USA. O volume total de Fundos internacionais puramente ambientais já atinge US$ 8 Bilhões. Só na área de investimentos florestais, dois Fundos de Investimento acumulam US$ 2 Bilhões de portfólios de investimento de longo prazo.  


Rural - Quais os projetos que o senhor está executando a partir destes recursos?

Forgash - Na área da Biodiversidade investimos em aquacultura (produção e engorda de espécies nativas), reflorestamento (espécies nativas), ecoturismo, estrativismo de produtos florestais não madereiros, agricultura orgânica, etc. Na área de manejo florestal estamos injetando capitais de longo prazo em madereiras interessadas em Certificar suas atividades de extração de madeira plantada e/ou nativa. No setor energético investimos na conversão da utilisação do Diesel para Biomassa, construção de unidades de produção de eletricidade alternativa (eólica, solar) e mini-hidroelétricas.  


Rural – Que retorno este investimento pode dar?  

Forgash - O Fundo de Biodiversidade promete retornos de 20-22% ao ano em US$ para os investidores. O Fundo ja está 40% investido e o retorno e bem superior a isso. O Fundo Florestal promete retornos anuais mais baixos (10-12% em US$) mas esperamos retornos de ganho de capital de no mínimo 25% anuais. No setor energético os retornos são da ordem de 12-14% anuais a curto prazo.  


Rural - Como um produtor rural pode participar deste processo?  

Forgash - O primeiro passo seria de acessar nosso website: www.terra-capital.com


Rural - Que ganhos ele pode ter?

Forgash - Os mesmos que os nossos descritos acima. Com só investimos sob forma de capitais de longo prazo (nos tornamos sócios comprando ações da empresa rural) e não fazemos financiamento, os nossos retornos são os mesmos dos nossos sócios. Nunca compramos uma participação majoritária. Por questões de motivação empresarial, o produtor rural tem que continuar sendo o principal dono do negócio dele. A nossa função é principalmente financeira: ajudar a assegurar capital de longo prazo (10 anos). Se ele ganha, ganhamos juntos na proporção da nossa participação. Se ele perde, perdemos da mesma maneira. É um investimento de risco para ambos.  


Rural - Sabe-se hoje que o produtor está lutando no congresso para conquistar descontos do ITR se ele mantiver ou aumentar a área de preservação florestal da sua propriedade. Com este objetivo ele conseguiria algum recurso externo?

Forgash - Preservar e aumentar a áreas de cobertura florestal são um bom começo mas não são passos suficientes. Os nossos critérios ambientais são muito rígidos e conservadores. Em geral exigimos uma Certificação e auditoria externa. Os critérios de Biodiversidade estão descritos no nosso website.  


Rural – Quais as áreas podem conquistar recursos externos. Por exemplo, produção de energia eólica?

Forgash -Esta é uma das áreas. Em geral preferimos investir em plantação ou produção/comércio de espécies nativas. Para ecoturismo não faríamos nada com mais de 30-35 apartamentos ou 70 leitos. Em geral preferimos que os sócios de um projeto de ecoturismo inclua um operador de turismo. Em geral evitamos investimentos em "idéias". O nosso capital se destina especialmente para investimentos de "segundo estágio". O nosso alvo para investimento é geralmente uma empresa que já tem alguns anos de vida, criou um patrimônio mas esta sem capitais (falta capital de giro tipicamente) e precisa de capitais de longo prazo para realizar a segunda etapa de crescimento.  


Rural - E com outras fontes como o Babaçu, é possível?

Forgash - Já estamos fazendo um investimento sustentável com babaçu mas vamos além do carvão vegetal para a produção de carvão ativado (para filtros) que tem um valor de mercado 10-15 vezes superior ao carvão vegetal.  


Rural – De que forma este trabalho que desenvolves pode, efetivamente, preservar a Amazônia, o Pantanal e outras áreas semelhantes?

Forgash - O ser humano só valoriza alguma coisa quando ele percebe que esta coisa tem valor econômico. No Brasil a Floresta ainda é considerado hoje um obstáculo ao desenvolvimento. O absurdo do nosso sistema bancário medieval é que se um produtor quer usar sua terra como garantia bancária ela só é aceita se esta "desmatada". Para os nossos Bancos terra com cobertura Florestal intacta não vale como garantia. Para o resto do mundo é exatamente o contrário. No nosso caso o que nos interessa é a Floresta Nativa. A fauna não é "um perigo", é uma oportunidade de negócios. O mesmo se aplica para o Pantanal (onde estamos ajudando a criar operações de ecoturismo sustentáveis em vez da pecuária improdutiva e danosa ao meio ambiente). Muitos fazendeiros no Pantanal já entenderam que ganham 3 a 4 vezes mais recebendo turistas do que produzindo bezerros ou engordando bois. No cerrado temos interesse em pecuária extensiva, ecoturismo e bio-prospecão; nos litorais: aquacultura, reflorestamento, ecoturismo, agricultura orgânica e assim por diante.  

No final das contas a única maneira de se preservar o meio ambiente é de combater a pobreza. Os nossos investimentos para a Conservação do patrimônio Natural dependem primeiramente no melhoramento das condições de vida com emprego e justiça social para os caboclos, ribeirinhos, indígenas e populações estrativistas. Não adianta investir capitais importantes no Campo e nas Florestas se as populações que vivem nas áreas de impacto das nossas atividades continuam pobres e famintas. Elas tem de participar dos nossos ganhos e manter um alinhamento de interesses" conosco." Se estão interessados, nos ajudarão a preservar estes patrimônios. O sistema já está funcionando com sucesso nas áreas de impacto dos nossos investimentos no Amazonas, Pará, Tocantins, São Paulo, Mato Grosso etc.  

* Nelson C. da Cunha Moreira* é Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, há 13 anos atua no setor rural. É diretor da Agropress Agência de Comunicação, editor de agronegócios da revista Rural. É consultor de conteúdo de sites - email:  nmoreira@cpovo.net

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