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Não estou aqui só para salvar o mundo. Quero ganhar dinheiro" - John Michael Forgach |
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ISTOÉ Dinheiro de 16/10/2002 |
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Conheça o brasileiro que trocou uma bem-sucedida carreira em Walt Street para se dedicar à ecologia. E fazer fortuna com isso. John Michael Forgach é um entusiasta de temas ambientais. Seu discurso inclui todos os chavões que compõem o repertório de um “ecologista de carteirinha”. A diferença é que Forgach – um brasileiro incomum, a começar pelo nome – também está de olho nos gordos dividendos gerados pelos negócios ecologicamente corretos. “Não estou aqui apenas para salvar o mundo. Quero ganhar dinheiro”, garante. E foi com esta idéia em mente que ele fundou em 1997, a A2R Fundos Ambientais. A companhia já captou US$ 100 milhões para investir em “ativos verdes”, tais como indústrias alimentícias, fazendas, companhias de reflorestamento e também na produção de alimentos orgânicos. O A2R funciona como um autêntico “venture capital”. Forgach detecta as melhores oportunidades no mercado e se associa aos empreendedores. Após determinado período deixa a sociedade e leva 20 % dos ganhos. Hoje, tem negócios no Brasil, Chile, Uruguai, Costa Rica, Austrália e Nova Zelândia. “Nossa meta é atingir um patrimônio de US$ 500 milhões até o 2005”, conta. A mais nova aposta do empresário é o mercado de “seqüestro carbono”, no qual companhias e governos de países altamente poluidores bancam a manutenção de florestas e empreendimentos capazes, por exemplo, de reduzir as emissões de substâncias nocivas na atmosfera. No ano passado, a A2R fechou um acordo para a venda de créditos de carbono ao fundo administrado pelo Banco Mundial (Bird), que dispõe de US$300 milhões. A equipe de Forgach já enviou 18 projetos para análise dos técnicos do Bird. Se forem aprovados, vão garantir um aporte de US$7 milhões para a empresa A2R. Até agora, a grande alavanca dos negócios de Forgach tem sido a agricultura orgânica, mercado que movimenta anualmente US$ 20 bilhões em todo mundo. Neste campo, a vedete é a Muaná Alimentos, fabricante de palmito e polpa de açaí. A empresa instalada na Ilha de Marajó (PA) e pela qual pagou US$ 1,5 milhão, há três anos – está avaliada em US$ 12 milhões. “ Já recusei uma oferta de US$ 9 milhões para vende-la”, conta. A companhia vem crescendo a uma taxa anual de 20% e deverá fechar o ano com receitas de US$ 4,2 milhões. Boa parte deste montante é obtida com as vendas para a Europa. Como os fundos administrados pela A2R prevêem o reembolso aos cotistas apenas após o período de maturação (10 anos, em média), Forgach não tem pressa em se desfazer dos ativos. A lista é extensa e inclui ainda uma fazenda de produtos orgânicos em Morungaba (SP), uma fábrica de carvão ativado, no Tocantins, e um projeto florestal em Itaquatiara (AM). A remuneração do fundo sai da taxa de administração das empresas (de até 2,5%), além de uma comissão de 20% do valor apurado com a venda de cada empreendimento. O mais curioso na trajetória de Forgach é que, até bem pouco tempo, ele cerrava fileira ao lado dos maiores poluidores do mundo. Dos 16 aos 45 anos o executivo viveu entre os EUA e a Europa, acumulando um expressivo patrimônio, cujo montante não revela. Após graduar-se em walt Street, onde atingiu a vice-presidência do Chase Manhatan. Depois mudou-se para a Europa e deu expediente na March Rich, a maior trading de petróleo do planeta. A virada aconteceu em 1995, quando Forgach doou US$ 4 milhões à Verein Hyacynthinos – o maior criatório de araras brasileiras do mundo, com sede na Suíça. “Ficou claro para mim que o velho jeito de ganhar dinheiro não valia mais a pena”, argumenta. |
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