A primeira reunião entre
governantes e cientistas sobre as mudanças climáticas,
realizado em Toronto,Canadá., descreveu seu impacto potencial inferior
apenas ao de
uma guerra nuclear. Desde então, uma sucessão de anos com altas temperaturas
têm
batido os recordes mundiais de calor, fazendo da década de 1990 a mais
quente
desde que existem registros.
1990: O primeiro informe com base na colaboração científica de nível
internacional foi
o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, em inglês), onde
os
cientistas advertem que para estabilizar os crescentes níveis de dióxido de
carbono
(CO2) – o principal gás-estufa – na atmosfera, seria necessário reduzir as
emissões
de 1990 em 60%.
1992: Mais de 160 governos assinam a Convenção Marco sobre Mudança
Climática
na ECO-92. O objetivo era “evitar interferências antropogênicas perigosas no
sistema
climático”. Isso deveria ser feito rapidamente para poder proteger as fontes
alimentares, os ecossistemas e o desenvolvimento social. Também foi incluída
uma
meta para que os países industrializados mantivessem suas emissões de
gasesestufa,
em 2000, nos níveis de 1990. Também contém o “princípio de responsabilidade
comum e diferenciada”, que significa que todos os países têm a
responsabilidade de
proteger o clima, mas o Norte deve ser o primeira a atuar.
1995: O segundo informe de cientistas do IPCC chega a conclusão de
que os
primeiros sinais de mudança climática são evidentes: “a análise das
evidências sugere
um impacto significativo de origem humana sobre o clima global. Um evidente
desafio
para os poderosos grupos de pressão em favor dos combustíveis fósseis, que
constantemente legitimavam grupos de cientistas céticos quanto a essa
questão, para
sustentar que não haviam motivos reais de preocupação.
1997: Em Kyoto, Japão, é assinado o Protocolo de Kyoto, um novo
componente da
Convenção, que contém, pela primeira vez, um acordo vinculante que
compromete os
países do Norte a reduzir suas emissões. Os detalhes sobre como será posto
em
prática ainda estão sendo negociados e devem ser concluídos na reunião de
governos
que se realizará entre 13 e 24 de novembro deste ano em Haia, Holanda. Essa
reunião é conhecida formalmente como a COP6 (VI Conferência das
Partes).
Do que trata o Protocolo de Kyoto
(resumo)
Compromete a uma série de nações industrializadas (Anexo B do Protocolo) a
reduzir
suas emissões em 5,2% - em relação aos níveis de 1990 – para o período de
2008-
2012. Esses países devem mostrar “um progresso visível” no ano de 2005,
ainda que
não se tenha chegado à um acordo sobre o significado desse item.
Estabelece 3 “mecanismos de flexibilidade” que permitem à esses países
cumprir com
as exigências de redução de emissões, fora de seus territórios. Dois desses
mecanismos correspondem somente a países do Anexo B: a Implementação
Conjunta
(Joint Implemention) e o Comércio de Emissões (Emission Trading);
o terceiro, o
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo-MDL (Clean Development Mechanism),
permite atividades entre o Norte e o Sul, com o objetivo de apoiar o
desenvolvimento
sustentável. Espera-se que os distintos “crédito de carbono”, destinados
a obter
reduções dentro de cada item, serão comercializados entre países de um mesmo
mercado de carbono. As negociações acerca dos detalhes, incluindo a forma em
que
se distribuirão os benefícios, estão em andamento.
O Greenpeace considera que os projetos relacionados com sorvedouros de
carbono,
energia nuclear, grandes represas e “carbono limpo” não cumprem com os
requisitos
necessários para receber “créditos” de emissão, de acordo com o MDL. O MDL
requer
que os projetos produzam “benefícios à longo prazo, reais e mensuráveis”.
Especifica que as atividades compreendidas nos mecanismos mencionados
devem ser
desenvolvidas adicionalmente às ações realizadas pelos países
industrializados dentro
de seus próprios terriotórios. Entretanto, os Estados Unidos, como outros
países,
tentam, à todo custo, evitar limites sobre o uso que podem fazer desses
mecanismos.
Permite aos países ricos medir o valor líquido de suas emissões, ou seja,
contabilizar
as reduções de carbono vinculadas às atividades de desmatamento e
reflorestamento.
Atualmente existe um grande debate em relação à essas definições. Há
outra cláusula
que permitiria incluir “outras atividades” entre os sorvedouros de carbono,
algumas
delas, como a fixação de carbono no solo, são motivo de preocupação
especial.
Determina que é essencial criar um mecanismo que garanta o cumprimento do
Protocolo de Kyoto.
Esses são alguns dos temas-chave no debate de novembro de 2000, na VI
Conferência das Partes Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas (COP6 - 6th Conference of the Parties - UNFCCC United Nations
Framework Convention on Climate Change).
A fim de entrar em vigência, o Protocolo de Kyoto deve ser ratificado
por, no mínimo
55 governos, que contabilizem 55% das emissões de CO2 produzidas pelos
países
industrializados. Essa fórmula implica que os Estados Unidos não podem
bloquear o
Protocolo sem o respaldo de outros países. Até o momento, 23 países,
incluindo
Bolívia, Equador, El Salvador e Nicarágua, já o ratificaram e outros 84
países, entre
eles os Estados Unidos, somente o assinaram (em 7 de agosto).