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Coleta Seletiva de Lixo: O Nó Sistêmico
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Environment Justice x
Finance
Artigo Inédito
Coleta Seletiva de Lixo: O
Nó Sistêmico
Por Sérgio Luís Boeira *
Muitas cidades brasileiras
têm implantado sistemas de coleta seletiva de lixo – com resultados
contraditórios. Por um lado, a produção de lixo aumenta na medida em
que: 1. O consumo de mercadorias é viabilizado pelo maior afluxo de
pessoas a áreas urbanas, aderindo ao estilo de vida consumista característico
destas; 2. O consumo de mercadorias com embalagens plásticas e/ou
descartáveis cresce, como fator decorrente da transformação do
sistema produtivo industrial, segundo o qual a agregação de valor
inclui a aparência e a atratividade das embalagens, não
necessariamente sua biodegradabilidade ou reciclagem. Por outro lado, os
sistemas de coleta seletiva com caminhões e "containers"
normalmente se sobrepõem aos sistemas de coleta mais antigos, dos
catadores miseráveis, disputando com estes a primazia e a eficácia.
Enquanto os sistemas de
coleta com fins ecológicos não forem harmonizados com os sistemas de
coleta com fins de sobrevivência imediata – as cidades permanecerão
insustentáveis. A educação ambiental de que carecem os produtores de
lixo, particularmente as classes média e alta, deveria incluir um
enfoque responsável pelas presentes e futuras gerações. Predomina no
país um enfoque ecológico-econômico unilateral, pelo qual os
administradores pretendem apresentar percentuais de crescimento da
coleta e sua viabilidade econômica. Falta agregar a este uma visão
social mais ampla, na qual se incluam as necessidades de cidadania dos
catadores. É justamente na falta de encaixe dos sistemas tecnicamente
idealizados com os social e historicamente construídos que está o nó
sistêmico.
O enfrentamento do
problema inclui pesquisas sociológicas sobre a dimensão do universo de
catadores, seu sistema de trabalho, sua auto-percepção, suas
necessidades básicas, as possibilidades de sua auto-organização
coletiva, etc. Concomitantemente, caberia aos administradores municipais
um atendimento emergencial visando a melhoria das condições de abrigo,
higiene e saúde desses cidadãos excluídos. Numa etapa posterior,
deveriam ser formulados sistemas de coleta seletiva nos quais estariam
previstas medidas como: 1. Ampliação da educação ambiental visando a
redução, a reutilização, a separação e a reciclagem de lixo; 2. A
inclusão dos catadores como principais beneficiários dos sistemas de
coleta, visando atender seus direitos de cidadania e sua auto-organização
em cooperativas e associações livres. A inclusão dos filhos destes em
programas de educação ambiental e a preparação profissional poderia
ser obtida com o auxílio de ONGs ambientalistas, sindicatos e associações
comerciais. Assim poderia ser desfeito o nó sistêmico.
Sérgio Luís Boeira*
é
Doutor em Ciências Humanas (slboeira@matrix.com.br) e professor Universidade do Vale do Itajaí – São José – SC
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