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Por
George de Souza Mustafá, Luis
Henrique Piva, Sean
Patrick Bradley,
Sérgio
de Mattos Fonseca, Wilton Oliveira Arruda*
PARTE
II
SISTEMAS
FLORESTAIS
Considerando
sistemas florestais com uma abordagem parecida, entendendo os mesmos
como sendo uma interface entre os recursos florestais e as comunidades
e/ou empresas associadas. O sistema florestal portanto apresenta, como
na industria questões operacionais (de manejo) e outros aspectos
humanos que podem ser trabalhados para minimizar as emissões de
carbono.
As
diferentes fases de “operação” são possíveis
através de trabalhos de desenvolvimento econômico sustentável,
para evitar o corte tanto quanto possível e transformar áreas
degradadas em novas florestas para o seqüestro de carbono. Desta
maneira, a seguinte tabela apresenta exemplos de técnicas de minimização
e seqüestro de carbono:
|
SISTEMA
FLORESTAL
|
|
ETAPA
|
TÉCNICA
|
|
Evitar
Problema
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Evitar
desmatamento (legislação; formação de reservas
conscientização e educação ambiental)
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Desenvolvimento
econômico limpo
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Ecoturismo
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Controle
de doenças/pestes
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Prevenção
de incêndios
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Gerenciamento/
Manejo/
Planejamento
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Substituição
de espécies (monocultura versus
biodiversidade);
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Minimizar
impactos de cortes (efeito de borda, mínimos danos de
vizinhança)
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Aumento
do intervalo entre corte
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Redução
de desperdício
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Conservação
do solo/incorporação do material morto
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Controle
de fogo
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Mitigação
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Reflorestamento
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Utilização
de rejeitos
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Aumento
da permanência da matéria morta
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Produtos
de madeira durável
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Usar
como biomassa de combustão
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Remediação
|
Aflorestamento;
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Situação
fora de Controle
|
Desmatamento
|
Na
atual conjuntura todas as técnicas de minimização de emissões que de
uma forma ou de outra evitam a emissão serão excluídos do MDL. Talvez
a percepção de que áreas florestais não são ambientes altamente
controlados como sistemas industriais e agrícolas contribuiu para esta
medida. Independente disso, vimos nesta abordagem que a exclusão de
carbono força os projetos de MDL a adotar técnicas que são menos
eficientes quando devem ser utilizados em conjunto até o dia em que o
manejo sustentável é a única forma de interação entre as pessoas e
seus recursos florestais.
SISTEMAS AGRÍCOLAS
Os
sistemas agrícolas apresentam técnicas associadas ao solo e ao
material vegetal. Ademais, as técnicas de manejo em sistemas agrícolas
podem afetar outros sistemas como os florestais e urbanos através de
migração e o abandono de terras que leva a maiores índices de
desmatamento. O sistema agrícola apresenta, de forma bastante parecida
à industria, todas as possibilidades de estudar alterações no
processo, otimização de processo, e melhorias operacionais através de
treinamentos que servem para minimizar as emissões de carbono.
A
seguinte tabela apresenta exemplos de técnicas de minimização e seqüestro
de carbono para sistemas agrícolas:
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SISTEMA
AGRÍCOLA
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Etapa
|
Técnica
|
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Evitar
o Problema
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Sistemas
Agroflorestais
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Potencialização
da produtividade (diminuir a demanda por abertura de novas áreas
de floresta para cultivo)
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Gerenciamento/
Manejo/
Planejamento
|
Permacultura
Rotação
de culturas/ consórcios / mosaicos
Proteção
do solo
Cultivo
de espécies lenhosas frutíferas
Políticas
e apoio técnico/ Treinamentos
Mudança
de combustíveis
Eficiência
energética
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Mitigação
|
Uso
de rejeitos
|
|
Remediação
|
Recuperação
de áreas degradadas
|
|
Situação
Fora de Controle
|
Erosão
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SISTEMAS
URBANOS
As
áreas urbanas, a partir da análise da redução de emissões de
carbono, agregam uma série de variáveis, as quais compõem um complexo
sistema. As formas de evitar a emissão de gases do efeito estufa (GEE’s)
podem ser contempladas dentro da perspectiva da geração de energia;
dos resíduos sólidos; dos transportes; da infraestrutura; entre tantas
outras.
No
contexto energético observa-se a mudança pontual da matriz energética,
até a promoção da arborização urbana objetivando a climatização
da cidade e a redução do consumo energético. Também a questão energética
pode ser levada a prédios públicos, a iluminação pública, o
saneamento básico entre outros.
A
título de fornecer alguns exemplos entre o vasto número de
possibilidades de redução de emissões de GEEs no contexto urbano
apresenta-se a seguinte tabela:
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SISTEMA
URBANO
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ETAPA
|
TÉCNICA
|
|
Evitar
o Problema
|
Mudança
pontual da matriz energética
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A
adoção de energias renováveis (ex. eólica, solar)
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Mudança
de comportamento atrelada a arborização e paisagismo urbano.
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Transporte
publico.
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Modificação
nos padrões de consumo levando a uma quantidade menor de resíduos
sólidos.
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|
Incentivos
ao uso alternativo de materiais.
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Educação
ambiental.
|
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Gerenciamento/
Manejo/
Planejamento
|
Eficiência
energética
|
|
Logísticas
em transporte (rotas de trabalho, sistemas de distribuição)
|
|
Transporte
solidário
|
|
Coleta
seletiva
|
|
Mitigação
|
Conservação
de energia
|
|
A
criação de aterros sanitários bem estruturados.
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|
Oficinas
de reciclagem
|
|
Incentivo
à movimentos de catadores de papel.
|
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Remediação
|
Modificações
na frota de carros
|
|
Transformação
de lixões em aterros sanitários.
|
|
Situação
Fora de Controle
|
Crescimento
desordenado
|
MEDIÇÃO
Para
transformar técnicas de redução de emissões de carbono (e GEEs) em
subsídios para projetos de MDL é necessário medir as reduções
realizadas através da técnica escolhida. Não é possível, no
presente artigo, ilustrar todos os mecanismos de medição para todas as
técnicas aqui apresentadas.
CONCLUSÃO
Podemos
ver através do presente trabalho que a abordagem associada às
tecnologias limpas fornece uma nova visão do problema de mudanças climáticas.
Os paralelos entre os diferentes sistemas abrem caminhos para investigações
que não seriam feitas de outra forma. Na figura que segue vemos os
paralelos entre os diferentes sistemas.
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ETAPAS
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INDÚSTRIA
|
FLORESTA
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AGRICULTURA
|
URBANO
|
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Evitar
Problema
|
Alteração
do produto
|
Evitar
desmatamento
|
Potencialização
da produtividade
|
Energias
renováveis
|
|
Gerenciamento
Manejo
Planejamento
|
Alteração
do Processo
|
Manejo
sustentável
|
Planejamento
Urbano
|
|
Otimização
de Processo
|
|
Melhorias
Operacionais
|
|
Mitigação
|
Reutilização
|
Reflorestamento
|
Aproveitamento
de rejeitos
|
Reciclagem
|
|
Remediação
|
Tratamento
|
Aflorestamento
|
Recuperação
de áreas degradadas
|
Atualizações
tecnológicas
|
|
Sistema
fora de Controle
|
Disposição
na Atmosfera
|
Desmatamento
Queimadas
|
Erosão
|
Poluição
|
Estes
paralelos e sinergias entre sistemas diferentes podem fornecer o elo em
comum para análises interdisciplinares que levam a novas perspectivas
que podem solucionar problemas antigos.
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Os
Autores *
George
de Souza Mustafá
– Universidade de Salvador - mustafa@unifacs.br
Luis
Henrique Piva
– Prefeitura de Palmas - TO - lhpiva@bol.com.br
e amatur@uol.com.br
Sean
Patrick Bradley
– Cientista Ambiental - Arquitetura e Urbanismo Ltda – FFA
- spbradley@ig.com.br
Sérgio
de Mattos Fonseca
– APREC Ecossistemas Costeiros - aprec@aprec.org.br
Wilton
Oliveira Arruda
– Conselho Nacional de Recursos Hídricos - MMA/SRH/OEA - bioecos@ig.com.br
e
wilthon.arruda@cnrh-srh.gov.br;
APREC
Ecossistemas Costeiros
Rua
Dr.Macário Picanço, 825 Maravista Itaipu
Niterói
RJ 24.342-330 tel/fax: 2609-8573
cel:
9197-0569 sergio@aprec.org.br
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