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Novo Livro Expõe o
Escândalo do Comércio de Carbono
Data: 16/10/2006
"Ruim para o Sul, ruim para o Norte, e ruim para o clima."
O crescente debate sobre o que fazer quanto à mudança climática
promete esquentar ainda mais esta semana com a publicação de um novo
livro exaustivamente documentado que declara que a abordagem dominante
do "comércio de carbono" ao problema seguido pelo Protocolo de Quioto
e pelo
Programa de Comércio de Emissões da União Européia é ineficaz e
injusta.
O livro, publicado pela Fundação Dag Hammarskjold da Suécia,
juntamente com o grupo internacional Durban for Climate Justice e a
ONG do Reino Unido The Corner House, argumenta que o comércio de
carbono desacelera a mudança social e tecnológica necessária para
enfrentar o aquecimento global porque prolonga desnecessariamente a
dependência mundial de óleo, carvão e gás.
O comércio de carbono "priva as pessoas comuns no Sul de suas
terras e de seu futuro, sem que isso resulte em um progresso
apreciável em direção a sistemas alternativos de energia," disse Larry
Lohmann da Corner House, a editora do livro. "Direitos negociáveis de
poluir são repartidos entre a
indústria do Norte, permitindo-lhes continuar a lucrar como de hábito.
1 Ao mesmo tempo, os poluidores do Norte são encorajados a investir em
supostos projetos de captura de carbono no Sul, muitos poucos dos
quais realmente promovem energia limpa." 2
Muitos dos créditos de carbono que estão sendo vendidos para os
países industrializados vêm de projetos poluentes que não fazem nada
para reduzir o uso de combustíveis fósseis, tais como os programas de
queima de metano de minas de carvão ou aterros de resíduos. Os
combustíveis fósseis devem ser
deixados no subsolo se quisermos evitar o caos climático, avisa o
livro.
Os créditos de carbono, como declara Jutta Kill da Sinks Watch,
outra entidade que contribui com o livro, não podem ser confirmados
como capazes de mitigar a mudança climática. "O comércio de carbono",
disse ela, "impede o desenvolvimento futuro de abordagens positivas já
existentes tais como a
regulação convencional, investimento público em alternativas
energéticas, tributações, e movimentos contra subsídios para extração
de combustíveis fósseis."
"Esta é a civilização humana de mercado mais absurda e
impossível que já vi," disse a ativista e pesquisadora indiana
Soumitra Ghosh, uma autora que contribuiu com um dos nove estudos de
caso detalhados do livro sobre projetos de carbono no Sul. "O comércio
de carbono é ruim para o Sul, ruim
para o Norte, e ruim para o clima."
Comércio de Carbono: Uma Conversa Crítica sobre Mudança
Climática, Privatização e Poder pode ser baixado em
http://www.dhf.uu.se.
Uma edição impressa será publicada pela Fundação Dag Hammarskjold em
novembro.
NOTAS DOS EDITORES
1. O comércio de carbono se tornou a peça central do Protocolo
de Quioto por insistência dos EUA, que argumentou que seu programa de
comércio para reduzir as emissões de dióxido de enxofre tinha sido um
grande sucesso, e acabou ficando depois que os EUA saíram do tratado.
Comércio de Carbono
demonstra, entretanto, que o programa de dióxido de enxofre dos EUA
era radicalmente diferente dos acordos comerciais do Protocolo de
Quioto, e lidava com um problema radicalmente diferente.
2. O comércio de carbono tem duas partes. Primeiro, os governos
repartem direitos de livre negociação para emitir dióxido de carbono
entre os grandes poluidores industriais, conforme o Programa de
Comércio de Emissões da União Européia. Em segundo lugar, as
companhias compram créditos
adicionais de poluição de projetos do Sul que alegam estar emitindo
menos gás de efeito estufa do que emitiriam sem o investimento do
mercado de carbono.
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