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Divulgação
Obras
do artista estão espalhadas pelo mundo
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MARIA HIRSZMAN
Hoje em dia é raro encontrar artistas sincronizados com
seu tempo, que pretendam usar sua arte não apenas como mera
especulação formal ou exercício estético, mas como uma maneira de
refletir e mudar o mundo em que vive. Um desses artistas é Frans
Krajcberg, que radicalizou de tal forma seu desejo de marcar uma
posição em defesa da natureza - talvez uma das maiores causas dessa
nossa época - que, com sua atitude militante e seu discurso inflamado,
procura passar a impressão de que sua luta ecológica está acima de
sua produção artística.
Na verdade, é exatamente a profunda interligação
entre o discurso plástico e a militância política que fazem de
Krajcberg um artista íntegro, capaz de compor uma reflexão ao mesmo
tempo estética e conceitual com seus troncos calcinados, restos de
floresta, transformando-os em belos e terríveis poemas visuais, que tem
muito mais de Brasil do poderia indicar a sua biografia. Afinal,
Krajcberg nasceu na Polônia, teve sua vida profundamente marcada pelo
anti-semitismo e pela guerra (sua família foi dizimada pelos nazistas e
ele próprio viu de perto os horrores da guerra ao engajar-se ao lado
das tropas russas).
Foi em Paris no pós-guerra que deu início às
atividades artísticas, entrando em contato com o que havia de mais
vanguardista no momento. Ele jamais abandonou Paris - onde ainda possui
um ateliê, que será doado à prefeitura e transformado num museu sobre
sua obra -, mas acabou resolvendo tentar a sorte aqui no Brasil - com
uma passagem doada pelo amigo Marc Chagall.
No início foram muitas as dificuldades. Trabalhou como pedreiro,
vigia, auxiliar de pintor (no caso, Volpi), até ser descoberto por Cicillo
Mattarazzo e convidado a participar da 1ª Bienal de São Paulo, em 1951.
Figura que sempre gostou do isolamento, Krajcberg viveu em vários lugares
do Brasil: São Paulo, Paraná, Minas Gerais (onde se encantou de tal
maneira com a paisagem e a natureza que diz ter dançado e chorado ao
deparar-se com as montanhas).
Mas foi em Nova Viçosa, no sul da Bahia, e nas diversas viagens que
fez à Amazônia que foi sendo depurado o olhar atento e crítico de
Krajcberg. Foi lá que nasceram suas enormes esculturas, construídas com
restos de troncos que encontra nos ameaçados mangues e as fotografias que
registram a beleza da natureza e o horror da destruição que encantaram os
franceses na impactante retrospectiva Moment d'Ailleurs, que fez em Paris
em 1996, e que lhe valeram, entre outros reconhecimentos de crítica e
público, o Prêmio Multicultural Estadão, em 1998. |